Quem trabalha em Irecê e o que costuma dar errado
Irecê vive principalmente de serviços: segundo o IBGE, o setor gera cerca de dois terços da riqueza do município. Lojas, supermercados, oficinas, clínicas e escritórios concentram a maior parte dos empregos urbanos. Na zona rural, a renda vem das hortaliças, com cebola, cenoura e alface à frente das lavouras.
Na cidade e no campo, as queixas se parecem. Falta registro na carteira, o acerto vem incompleto, a hora extra não aparece no contracheque. Os processos vão para a Vara do Trabalho de Irecê, sediada na cidade, que também recebe casos de Barra e Xique-Xique. Há dois anos, contados da saída, para propor a ação, e nela se cobram os últimos cinco anos.
Horta, cebola e cenoura: o trabalho rural também tem carteira
Muita gente trabalha na colheita de cebola ou no plantio de cenoura por diária, de semana em semana, sem papel nenhum. Se o serviço se repete, é feito pela própria pessoa e segue ordens do produtor, a lei do trabalho rural (Lei 5.889/1973) trata esse trabalhador como empregado, mesmo quando o patrão é um pequeno agricultor.
Reconhecido o vínculo, entram o registro, o FGTS, as férias com um terço, o 13º e o descanso semanal remunerado. Quem aplica defensivo nas hortas deve receber equipamento de proteção sem pagar nada por ele. Na vizinha Ibipeba fica o perímetro irrigado de Mirorós, da Codevasf, cujo reservatório também abastece Irecê.
Empregada doméstica em Irecê
É doméstica quem presta serviço numa casa de família por mais de dois dias na semana, limpando, cozinhando ou cuidando de criança ou idoso (Lei Complementar 150/2015). A diarista que vai até duas vezes por semana, em regra, não tem vínculo. Para a doméstica, a lei garante:
- Carteira assinada e registro no eSocial
- Jornada de até 8 horas por dia e 44 por semana, com hora extra paga
- FGTS e seguro-desemprego na dispensa sem justa causa
- Férias de 30 dias com um terço a mais
